Mínimos Climáticos

Os dez primeiros passos para enfrentar a emergência climática

Imaginemos que decidimos, realmente, iniciar uma verdadeira transição, capaz de superar os atuais desafios ecológicos, sociais e institucionais.

Imaginemos que conseguimos libertar-nos da “ditadura de uma economia que mata” (expressão usada pelo Papa Leão XIV) e que uma hipotética Junta de Salvação Climática, à maneira de Abril, mas sem fardas e com decisões partilhadas, recebe o mandato de conduzir a transição ecossocial. Quais seriam as suas primeiras medidas?

Porquê fazer este exercício? Antes de mais, para clarificar as nossas intenções, expectativas e exigências (por outras palavras, definir o nosso caderno reivindicativo). Também para visualizar como seria um processo de transição democrático. E até, quem sabe, para inspirar quem hoje governa a decidir em prol do ambiente e das pessoas.

Se não chegarmos a lado nenhum, ficará pelo menos demonstrado, sem margem para dúvidas, que tudo se resume à falta de vontade política e aos bloqueios da nossa democracia. E estaremos, de qualquer forma, a abrir o apetite para a revolução. Digo, a transição.

Em síntese, os Mínimos Climáticos são:

  • uma ferramenta de diálogo e convergência;
  • um dispositivo narrativo;
  • um mecanismo de legitimação popular.

Mínimos, não migalhas

“Mínimos” não quer dizer pequenos. Não procuramos mais do mesmo, nem gestos simbólicos face à dimensão da crise climática. Procuramos medidas simples de executar, que só não avançam por falta de vontade política. A fasquia está baixa: falta saltá-la.

Cada medida deve:

  • poder ser executada com instrumentos que o Estado já tem (lei, orçamento, regulação);
  • produzir efeitos visíveis a curto prazo, dentro de uma legislatura;
  • reduzir as desigualdades, ou pelo menos não as agravar;
  • aplicar-se à escala nacional;
  • ter ambição à altura da crise, sem cair no irrealismo: medidas idealmente com precedentes noutros países ou com base de apoio social alargada.

Pretende-se que contribuam para:

  • comunidades mais resilientes;
  • redução da dependência de combustíveis fósseis;
  • justiça social;
  • regeneração dos ecossistemas;
  • reconexão democrática;
  • soberania alimentar;
  • mobilidade sustentável;
  • proteção do território;
  • (…).

Exemplos possíveis:

  • orçamentos de carbono vinculativos, com avaliação independente e consequências em caso de incumprimento;
  • transportes públicos gratuitos ou de custo simbólico;
  • eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis;
  • teto energético para grandes consumidores (ex. data centers);
  • convenção climática dos cidadãos (como em França);
  • um conselho do futuro composto por jovens;
  • programa nacional de agroecologia;
  • avaliação, financiamento adequado e exigência de cumprimento dos planos de ação climática;
  • fim da publicidade luminosa, a produtos poluentes ou em espaço público;
  • incentivos à habitação cooperativa e sustentável;
  • (…).

Estamos a falar de ações “low-hanging fruit” (como diriam os anglo-saxónicos), ou seja, fáceis de alcançar, com máximo resultado e mínimo esforço. A evoluir futuramente para medidas de maior maturidade e ambição.

Como vai funcionar

Até 31 de dezembro de 2026: recolha de propostas. Abertas a todas as pessoas e organizações, em especial embaixadores do Pacto Climático Europeu, ativistas climáticos, empreendedores regenerativos e, sobretudo, quem mais sofre com a crise climática.

Início de 2027: curadoria e validação. O Provedor do Clima agrega e seleciona as propostas, que serão depois avaliadas por cientistas da área do clima. Se necessário, haverá uma votação online final.

Apresentação pública. As “10 ações prioritárias para enfrentar a crise climática” serão apresentadas num evento público e abertas à subscrição de organizações e cidadãos.

E depois? As medidas mais consensuais poderão dar origem a um pacote legislativo de emergência, através de uma iniciativa legislativa de cidadãos (direito consagrado na Constituição), ou a um referendo nacional.

E, em momento oportuno, serão entregues à Junta de Salvação Climática…

Queres participar?

Envia a tua proposta até 31 de dezembro de 2026. Quanto mais concreta, melhor.

← Back

Your message has been sent

Se aplicável.
Que problema resolve esta medida?
O que propões, em concreto?
Governo, Assembleia da República, autarquias, coletivos, empresas…
Estimativa aproximada, se possível


Comentários

Deixe um comentário

Discover more from Provedor do Clima

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

A Voz do Clima

porque precisamos desesperadamente de boas notícias… e de muito realismo

continuar a ler