Democracia em extinção

O relatório de 2025 do V-Dem (Instituto Sueco que avalia as democracias a nível global, com o apoio de milhares de académicos e especialistas) tem um título sugestivo: “25 Anos de Autocratização – Foi a Democracia Derrotada?”. De facto vivemos tempos sombrios, e não é apenas a nossa perceção: o número de autocracias ultrapassou o número de democracias e 74% da população mundial vive em países autocráticos, onde o poder real se concentra em uma única pessoa ou grupo restrito.

Portugal não escapa a esta tendência e já não está incluído na lista cada vez mais restrita de ‘democracias liberais’, onde, para além de eleições, se garantem os direitos civis, e o poder político se sujeita à lei. Falar livremente passou a ser um exercício demasiado caro para muitos de nós e a responsabilização política é uma miragem.

Manifestação “No Kings” no Porto (imagem LUSA)

O Rei vai Nu. E as pessoas saem à rua para protestar, como nas recentes manifestações que reuniram milhões nas ruas de Nova Iorque ou do Porto, em protesto contra a tirania de Trump e dos seus comparsas. Américo Figueiredo alerta-nos para a Síndroma de Hubris, que cria líderes tiranos, megalómanos e sem empatia, e um sistema de subserviência generalizado como mecanismo de sobrevivência. Este professor catedrático da Faculdade de Medicina da UC lança-nos a questão: “quando os freios democráticos falham, quem ou o quê pode impedir que o delírio se transforme em catástrofe?”.

No meu livro, “Um Mundo sem políticos“, defendo a tese que é o momento de repensar o nosso sistema democrático, antes que seja tarde demais. Proponho um ‘regresso às origens’, com um sistema de democracia direta como existia na Grécia Antiga e em tantas outras paragens. Como aliás está previsto na nossa Constituição, que agora faz 50 anos. “Governo do povo, pelo povo e para o povo”, como disse Abraham Lincoln no seu famoso discurso.

O Mundo é nosso para governar. E com o aumento das autocracias, surge a resistência. Pessoas que se juntam para criar hortas comunitárias, andar de bicicleta, salvar os mercados de frescos, promover a cultura independente ou o direito a ter vizinhos (e não apenas turistas). São exemplos vibrantes e radiosos, que vale a pena conhecer e que florescem no Porto.

A apresentação do meu livro na cidade será assim em boa companhia. No dia 17 de abril, pelas 18h30, na sede da Liga Portuguesa de Profilaxia Social (Rua de Sant’Ana, 11), uma organização centenária e muito relevante na intervenção social na cidade. Irão participar vários movimentos sociais ativos, como a MUBi, Nós Somos Bolhão, STOP manifesta, Terra Solta, Vizinhos em Vias de Extinção, e outros.

A questão a que queremos responder é: como criar um Mundo em que todos somos políticos, e assumimos o destino das nossas comunidades?

Iremos contar com a poesia para nos inspirar nesta conversa, em modo Pinguim. Queres juntar-te?


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