Por qualquer razão que não saberia explicar, o destino arrasta-me sempre para Seia, para explorar respostas à crise ecológica. Enquanto membro do Grupo de Estudos Ambientais da Universidade Católica, tive a honra de poder contribuir durante vários anos para o desenvolvimento da Agenda 21 Local de Seia, um processo social e político que envolveu toda a comunidade na definição e implementação de estratégias e opções de qualificação e desenvolvimento local sustentável.

Em Seia organizei também o Fórum “Jovens em modo rebelde” e a GLOCAL 2012 – Pensar Global, Agir Local – IV Conferência Internacional de Agenda 21 e Sustentabilidade Local e ainda antes disso a final nacional das XIII Olimpíadas do Ambiente 2007-2008. Em 2015 organizei o Fórum “Turismo Solidário nas Aldeias de Montanha“. Em 2017 promovi a antestreia nacional do filme “A verdade inconveniente” de Al Gore, integrada no CineEco2017. A convite do Município de Seia, fui orador em 2018 no 1º Fórum Internacional de Festivais de Cinema de Ambiente e em 2019 no Seminário Nacional “Adaptação local às alterações climáticas”, da rede Adapt.Local.

Nestes processos conheci pessoas incríveis, de muitos Senenses amantes do seu território, a Ailton Krenak (líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro) ou projetos como a TV Cocriativa, que conecta mentes jovens através de conteúdos multimedia (tendo mais tarde organizado uma tour nacional com eles).

Entretanto, acabei de publicar o meu primeiro ensaio sobre os desafios atuais enfrentados pela democracia, com o título provocador “Um Mundo sem políticos – uma proposta democrática para depois do colapso“. No livro faço a apologia de uma democracia participativa como forma de regenerar as nossas comunidades, área em que Seia se destaca. Recentemente referi o caso de Cabeça – Aldeia Natal como um exemplo nacional, em crónica publicada no jornal E24. 

Enquanto membro fundador da Casa Comum da Humanidade, irei agora participar no encontro anual que terá lugar em Seia nos dias 21 e 22 de março, “uma experiência de seminário em outdoor, em que as palestras realizadas por especialistas são dadas enquanto se caminha na
natureza.” Irei aproveitar a oportunidade para realizar uma apresentação do meu livro, numa sessão inspirada na Natureza, com um apontamento musical/artístico assegurado por Miguel Berkemeier, um extraordinário músico e compositor português, semifinalista do Got Talent Portugal. A atuação integrará temas do espetáculo “Sinfonia da Natureza”, que consiste num concerto com vídeos em background, violino, guitarra, e canto (teaser).

Miguel Berkemeier

O evento batizado de “Renascer – Inspirações para regenerar o Planeta e a Governança” (Seia, Auditório CISE, 21 de março de 2026, 18h, entrada livre) será assim uma espécie de debate musicado sobre as implicações da metacrise e colapso a que assistimos, contando com moderação de Maria de Lurdes Anjo (presidente da AG da associação Zero, co-fundadora da Casa Comum da Humanidade e ambientalista de longa data). Em particular iremos buscar juntos as respostas às questões da adaptação profunda, através da união da reflexão com a performance artística. O evento conta com apoio da Casa Comum da Humanidade e do Município de Seia.

Encontro da Casa Comum da Humanidade em 2025 (Pedrogão Pequeno)

A Casa Comum da Humanidade (CCH) é uma associação internacional e iniciativa inovadora, com sede no Porto, que visa reconhecer o sistema terrestre e o clima estável como Património Comum da Humanidade, ambição inscrita na Lei de Bases do Clima. Coordenada por Paulo Magalhães, a CCH trabalha para criar um novo quadro jurídico e económico que proteja a biosfera, promovendo uma governação global baseada na ciência.

Algo que o Equador já exemplificou, ao reconhecer, na sua nova Constituição de 2008, a Natureza (ou Pachamama) como sujeito detentor de direitos, e não apenas como um objeto a ser protegido. Infelizmente, num contexto em que o multilateralismo vive tempos de amargura, torna-se difícil imaginar algo do género a vingar. Importa por isso enfrentar as implicações de tudo isto, num momento de ‘ressaca climática’, em que sentimos ainda as consequências de mais uma tragédia que anuncia o novo ‘normal’, caso permaneça a inação climática dos nossos governos.

Uma oportunidade para, com lucidez, fazer renascer a esperança na transformação que o Mundo precisa.

“Ser lúcido em Portugal é perceber que por mais que reduzamos as emissões e restauremos ecossistemas, os benefícios resultantes dos nossos esforços serão diluídos globalmente, e ficaremos sempre com os custos de sermos uma das principais vítimas. Neste sentido, a única forma de podermos receber os resultados dos nossos esforços, é sabermos utilizar o capital político de coerência, honestidade e inovação que eles nos conferem, contribuindo para promover e liderar este movimento de transformação que o mundo precisa.” Paulo Magalhães, Casa Comum da Humanidade


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