Talvez o leitor esteja deprimido face aos estragos que estamos a causar no Planeta e todo o sofrimento desnecessário. Talvez esteja ansioso face a um futuro sem recursos naturais, sem democracia, sem clima estável. Talvez esteja frustrado porque parece que ninguém se importa, muito menos quem é pago para nos governar… Sei que é um triste consolo, mas antes de mais há dois aspetos a considerar: (1) não estamos sozinhos e (2) é um sinal de que o leitor é uma pessoa empática e atenta ao que o rodeia.
Jem Bendell, um dos pensadores essenciais no nosso tempo, convida-nos para um processo de “adaptação profunda”, procurando conforto na ligação com as outras pessoas, e na ajuda mútua. Afinal, podemos navegar juntos numa viagem colaborativa de compreensão das implicações de tudo isto, colocando as questões que se impõem: O que é que mais valorizamos e que queremos manter, e como? Do que é que precisamos de nos libertar para não piorar mais ainda a situação? O que é que podemos recuperar para nos ajudar nestes tempos difíceis? Com o quê, e com quem, precisamos de nos reconciliar, neste acordar para a nossa mortalidade mútua?
Respostas que podemos procurar juntos. Juntos na rutura é justamente o título do último livro de Bendell, que tive a honra de prefaciar na sua edição portuguesa. Um convite para todos nós nos tornarmo-nos ‘ecolibertários’. Pronto para esta aventura?
“A esperança é como uma fénix. Por vezes precisa de entrar em auto-combustão para renascer das cinzas. Jem não apregoava simplesmente o ‘fim dos tempos’, ele convocava todos para uma reflexão sobre o que precisamos de fazer neste momento trágico de colapso societal em curso. Este chamado para uma “adaptação profunda”, de resiliência, renúncia, restauro e reconciliação, trouxe uma nova esperança, pela sua clarividência e humanidade. Não é à toa que ressuou com tantas pessoas em todo o mundo. Sim, mesmo explorado até ao tutano, este mundo continua a ser um jardim habitado por seres mágicos e pessoas empáticas”
Pedro Macedo, prefácio ao “Juntos na Rutura – Testemunhar a realidade e caminhar rumo à liberdade e à cooperação”


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