manifestação clima no Porto

Um balde de tinta verde

Antes de mais, um disclaimer. No outro dia alguém me catalogou como “intelectual cívico com alma ativista”. Sim, sempre fui um ativista, em particular na área do ambiente e, mais recentemente, com foco no clima. De alma e coração, e muita ação. Já marchei com os jovens grevistas do clima, em Lisboa ou em Frankfurt. Já ‘arrastei’ três gerações pelas ruas do Porto (ver imagem). Fui à Bajouca impedir a exploração de gás fóssil e bloqueei os portões da Petrogal. Enfim, muito haveria para contar. Mas devo dizer também que nunca atiraria tinta verde a ninguém.

Conforme partilho no meu livro, participei na minha primeira manifestação pelo clima em 2009, ocupando o tabuleiro superior da Ponte Luís I no Porto. A nossa reivindicação na altura era manter a concentração de CO2 na atmosfera abaixo do limiar de segurança: 350 ppm (partes por milhão). Em 2024 já atingimos 425 ppm…

Manifestação pelo clima no Porto em 2009 (350.org)

Sim, há algo que não está a resultar. A sociedade investiu ‘mundos e fundos’ na educação ambiental dos mais novos, para agora criminalizar aqueles que levaram a sério a mensagem e se revoltam com a inação. A Mariana Rodrigues, co-autora do livro “All In: A Revolutionary Theory to Stop Climate Collapse“, já tem mais de 10 casos legais por ter agido para travar a crise climática… É apoiante da Climáximo e fiz questão que escrevesse o prefácio inaugural do livro que publiquei.

No outro dia, num encontro onde fui falar de green skills, ouvi uma responsável de um dos maiores programas nacionais de sensibilização dizer que “a Greta até tinha piada no início…”. Pois, não era para ter piada, era mesmo para levar a sério. Não o fazemos e ainda por cima somos ingratos – a Greta Thunberg deve ser a única pessoa no mundo a quem o Presidente Marcelo negou uma selfie!

O que achas do ativismo climático? Partilha a tua experiência, opinião e propostas.

“Devo ser sincero. Sinto que o alcance do ativismo é cada vez menor. Que os seus tradicionais viveiros, as universidades, deixaram de ser locais férteis ou até mesmo seguros, e são agora manietados pelo capital e as suas métricas. Que os antigos parceiros de luta, os sindicalistas, estão demasiado frágeis. Por isso, o tão desejado “social tipping point”, uma onda de mudança profunda, poderá ser apenas uma miragem. Temo que os revolucionários mais resistentes corram sérios riscos de serem trucidados pela voracidade da modernidade imperialista e pelos novos poderes reacionários. Oxalá esteja enganado.”

Pedro Macedo, Um Mundo sem Políticos


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